De Cristo para os Doze.

“Reunindo os Doze, Jesus deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.

E disse-lhes: ‘não levem nada pelo caminho: nem bordão, nem saco de viagem, nem pão, nem dinheiro, nem túnica extra. Na casa em que vocês entrarem, fiquem ali até partirem. Se não os receberem, sacudam a poeira dos seus pés quando saírem daquela cidade, como testemunho contra eles’.

Então eles saíram e foram pelos povoados, pregando o evangelho e fazendo curas por toda parte.

Herodes, o tetrarca, ouviu falar de tudo o que estava acontecendo e ficou perplexo, porque algumas pessoas estavam dizendo que João tinha ressuscitado dos mortos; outros, que Elias tinha aparecido; e ainda outros, que um dos profetas do passado tinha voltado à vida.

Mas Herodes disse: ‘João, eu decapitei! Quem, pois, é este de quem ouço essas coisas?’ E procurava vê-lo.

Ao voltarem, os apóstolos relataram a Jesus o que tinham feito. Então ele os tomou consigo e retiraram-se para uma cidade chamada Betsaida” (Lucas 9. 1-10. NVI).

Os Doze eram: Simão, a quem Jesus chamou Pedro, seu irmão André, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Simão, chamado zelote, Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor.

Esses homens estavam com Jesus Cristo quando ele foi encontrado por aquela imensa multidão procedente de toda a Judéia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidom, que vieram para ouvi-lo e serem curadas (cf. Lucas 6).

Ali eles o viram curar todos os enfermos e expulsar todos os demônios. Mas também aprenderam de seus lábios que havia maior bem-aventurança em ser pobre, estar com fome, chorar e ser odiado, expulso, perseguido e ter seu nome eliminado como sendo mau por causa do Filho do homem. Pois se por causa do Filho do homem, Jesus Cristo, alguém passa por tais infortúnios, então verdadeiramente anda no espírito dos profetas. Aqueles que eram amigos de Deus sofreram dessas maneiras.

Ali também eles aprenderam que há grande promessa de juízo para aqueles que participam da riqueza, da fartura, do riso e da fama frutos da falsidade, como os falsos profetas de antigamente. Os inimigos de Deus sempre gozaram dos luxos da mentira, da infidelidade e do engano.

Ali eles ouviram que o Espírito Santo de Deus é assim: ele é bondoso até para com os ingratos e maus. Aprenderam, portanto, que deveriam ser misericordioso, assim como seu Pai Celestial é misericordioso.

Ali eles entenderam finalmente qual a regra da vida: se você julgar, será julgado; se condenar, será condenado; se perdoar, será perdoado; se der, receberá em boa medida. Sem essa retidão profunda, jamais receberiam o Reino de Deus. Mas toda a hipocrisia será desmascarada.

Depois daquilo, testemunharam a fé do centurião romano que confiou na autoridade de Jesus Cristo para, por uma palavra dele, ter o seu servo curado à distância (cf. Lucas 7. 1-10). E em seguida, testemunharam a ressurreição do filho de uma viúva que por sua piedade tocou o coração do próprio Deus (cf. Lucas 7. 11-17).

Os Doze, aprenderam sobre a importância do batismo de João Batista, o batismo do arrependimento para o perdão dos pecados (cf. Lucas 7. 18-35) e viram o que é o verdadeiro arrependimento quando a mulher pecadora pela fé se derramou aos pés de Jesus Cristo na casa de Simão, o fariseu (cf. Lucas 7. 36-50).

Aqueles doze homens aprenderam a discernir os motivos pelos quais apenas tão poucos ao ouvirem a proclamação do Reino de Deus de fato entravam, permaneciam e davam frutos ali (cf. Lucas 8. 1-15). E ouviram que àquele que tem o Reino de Deus, mais dele lhe será dado; mas daquele que não o tem, até o que pensa que tem lhe será tirado (cf. Lucas 8. 16-18). Além disso, vieram a saber que relações de parentesco carnal não seriam suficientes nem para constituir família em Deus nem para evitar o batismo de arrependimento: família verdadeira é a irmandade, paternidade e maternidade que se recebe quando, arrependendo-se de coração e com fé, nasce-se de novo para dentro do Reino de Deus (cf. Lucas 8. 19-21).

Os Doze viram de perto a autoridade de Jesus Cristo sobre as forças da natureza para aprenderem que diante da iminência da morte física deveriam encontrar sua fé (cf. Lucas 8. 22-25).

Eles também testemunharam a conversa de Jesus Cristo com uma legião de demônios, quando expulsou-os do endemoninhado da região dos gerasenos. Ali eles viram que nem sempre o portador do Reino de Deus e Sua cura divina é acolhido e respeitado, mas a cura divina às vezes pode ser como um espelho muito iluminado e nítido que revela de pronto o pecado que um povo decidiu ocultar. Ali também aprenderam que o ministério legítimo de um homem que destruiu sua família é trabalhar para reconstruí-la (cf. Lucas 8. 26-38).

Por fim, os doze apóstolos viram que a cura divina da mulher adulta requer testemunho público de fé para que outros sejam levados a Deus, mas também que toda autoridade instituída por Deus deve ser respeitada e honrada, pois quando se toca uma criança isso deve ser feito na presença de seus pais. Além disso, a criança teve de ser protegida por seus pais e seu milagre permanecer em segredo para o bem (cf. Lucas 8. 40-56).

São esses os doze homens a quem Jesus Cristo designou apóstolos, a quem agora deu poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.

Dar poder é ensinar a fazer; dar autoridade é colocar na posição legítima para fazer.

Essa parece ser a dobradinha da paternidade: ensinar a fazer e, depois disso, colocar na posição legítima para fazer.

Jesus Cristo é um bom pai.

As habilidades, os poderes que os discípulos receberam foram expulsar todos os demônios e curar doenças; a posição de legitimidade, a autoridade que os discípulos receberam foi o apostolado, o envio para testemunhar ao mundo da parte do Cristo sobre o Reino de Deus e a curar os enfermos.

Apóstolo (dicionário da Bíblia Nova Versão Internacional): alguém enviado como representante; no Novo Testamento, aquele que tivesse visto a Jesus Cristo e por ele tivesse sido comissionado para ensinar outras pessoas a respeito dele.

Portanto, foram os representantes de Jesus Cristo, pessoas que o viram e foram por ele comissionadas para ensinar outras pessoas a respeito dele, os que legitimamente puderam usar a habilidade aprendida dele e com ele de expulsar todos os demônios e curar enfermos.

A missão dos apóstolos nesse momento eram duas: pregar o Reino de Deus (anunciar o caminho para que os homens voltem a estar sob o jugo de / submissos a Deus; o caminho para que os homens pudessem passar à estatura de filhos de Deus) e curar os enfermos. Jesus Cristo pede isso deles.

Além disso, Jesus Cristo estabelece as regras pelas quais deveriam realizar sua missão: não levar nada pelo caminho (nem bordão, nem saco de viagem, nem pão, nem dinheiro, nem túnica extra); ficar na casa de quem os recebesse até partirem; e sacudir a poeira dos seus pés quando saírem das cidades que não os recebessem como testemunho contra ela.

Não levar nada pelo caminho, significa que tudo de que necessitassem lhes seria dado no caminho. Deveriam confiar na providência de Deus. Quem foi comissionado por Deus será amparado pelos recursos de Deus, não pelas suas próprias riquezas, reservas e bens.

Deus é responsável: se envia homens para uma missão, provê os recursos para essa missão e espera que os enviados confiem em Sua providência.

Ficar na casa de quem os recebesse era confiar que a hospitalidade não é aleatória nem natural, mas oportuna e sobrenatural. Alguém abrir as portas da sua casa para um mensageiro de Jesus Cristo, isso é um milagre completo cheio de propósitos e interferências divinas.

Os empregos legítimos não estão todos abertos para os enviados de Deus, as casas dos justos também não, até mesmo as igrejas não estão todas abertas. Diante da hospitalidade divina (inspirada por Deus) para a missão de Deus, tenhamos o temor de Deus. Permaneçamos no lugar onde Deus nos receber pela hospitalidade divina enquanto realizamos sua missão ali onde chegamos.

Sacudir a poeira dos pés quando saindo de uma cidade que os rejeitou e, por consequência, àquele que os enviou, Jesus Cristo, como testemunho contra eles era a necessidade de tornar física a realidade espiritual. Nada daqueles que rejeitarem a Jesus Cristo ficará com aqueles que o amaram. O mundo da comunhão terminará para todo aquele que rejeitar o Cristo de Deus. Não haverá nada nos discípulos que os unirá àqueles que rejeitaram o Cristo, a quem eles representaram em poder e autoridade.

Não se deve levar nada consigo de um povo que rejeite completamente o Filho de Deus.

Então os Doze saíram e foram pelos povoados, pregando o evangelho e fazendo curas por toda parte.

Herodes, o tetrarca, ouviu falar de tudo o que estava acontecendo e ficou perplexo.

Algumas pessoas diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos, outros que Elias tinha aparecido e, ainda outros, que um dos profetas do passado tinha voltado à vida.

Mas Herodes sabia melhor: “João, eu decapitei!” Disse ele. E ponderava em seu coração sobre quem seria de fato esse Jesus de Nazaré de quem ouvia tais coisas. E procurava vê-lo.

Os Doze voltaram e relataram tudo o que haviam feito a Jesus Cristo.

É interessante notar que Judas Iscariotes estava entre os Doze. Portanto, também recebeu poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar os enfermos; também foi enviado a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos; e também retornou triunfante de todas as maravilhas que testemunhou e protagonizou.

Deus tenha misericórdia de nós!

“Obrigado, SENHOR, pelo Espírito Santo! Em nome de Jesus Cristo, amém”.

Rafael Caldeira de Faria, Teólogo, e o Editor do blog Curados por Deus.

 

 

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