O toque gentil

Boa tarde a todos!

Gostaria de lhes falar um pouco sobre o toque gentil hoje aqui.

“Toque gentil” era o modo como a Sra. Marion Rosen, Fisioterapeuta, falava sobre o toque que ela ministrava através do The Rosen Method Bodywork. Tudo começava com um suave “pouso” de mãos amorosas em uma parte do corpo dos seus pacientes.

Nas suas aulas, ela costumava introduzir o seu trabalho corporal dando aos seus alunos a oportunidade de experimentar: um se assentar em uma cadeira e o outro, por detrás dele, suavemente pousar suas mãos sobre seus ombros, só que prestando a atenção ao ser tocado e ao tocar um ao outro.

“Posso tocar em você?” é a pergunta por detrás desse trabalho que, eu diria, é o trabalho do amor.

O respeito sobre todas as coisas é a ferramenta que transforma essa experiência terapêutica em algo sagrado, sacralizável.

Muitos dos pacientes da Sra. Marion relatavam que por meio desse tratamento encontraram uma experiência de amor profundo e, assim, uma conexão espiritual.

O toque gentil é um toque de paciência, sensibilidade e contato íntimo. Não é íntimo porque é sensual, pois não é, mas é íntimo porque penetra até a vulnerabilidade do ser com intenções boas de cuidado, interesse, respeito e amor.

Gosto muito de trabalhar com esse tipo de toque, mas não é sempre que ele é o mais adequado ou aquele que convém para a promoção da Saúde Integral. Às vezes é preciso preencher e relaxar os caminhos neurais e vasculares, mas esse não é o melhor tipo de toque para isso.

A ação do toque gentil é principalmente alcançar o corpo emocional, ou seja, através do toque físico ativar a memória emocional que os órgãos, pele e tecidos corporais guardam dos eventos significativos da história de vida de cada um de nós.

As mãos de outro ser humano sobre o nosso corpo de uma maneira paciente, bondosa, calma e, especialmente, presente para nós, não somente fisicamente, mas também espiritualmente, faz toda a diferença nos processos de cura psicológica, que tanto nos interessam.

Como nos livrar dos cativeiros guardados pelas memórias corporais negativas e dolorosas? Gosto muito do toque gentil, quando o trabalho a ser feito é de motivo psicológico.

A técnica é simples: deve-se tocar o paciente com bastante respeito e leveza de mãos. Não se deve ficar apertando ou acariciando o corpo do outro, mas pacientemente se espera pelo aprofundamento da conexão da palma e dedos das mãos com o corpo tocado. À medida que passa o tempo, as mãos do terapeuta se ligam ao corpo do paciente e, a partir dessa boa qualidade de contato, então se move o corpo do paciente delicadamente, identificando com a ponta dos dedos e palma das mãos os lugares onde o corpo do outro apresenta uma rigidez mais proeminente.

Onde seguramos com mais força, guardamos o que nos é mais caro. Debaixo das tensões involuntárias do corpo ficam guardados os motivos principais para o nosso modo de ser e agir.

Às vezes o que temos protegido com a maior guarda é o nosso “deus”, uma memória de dor e violência incompreendida, mas poderosa para nos fazer ver o mundo inteiro de uma maneira dolorosa e deturpada. Por outro lado, existem tesouros no nosso interior que nos conectam com as outras pessoas e nos abrem interiormente para a experiência da compaixão.

“Por que é tão bom quando somos tocados assim?”, indagava a Sra. Marion. E a resposta é porque os toques humanos bons são parte de uma rotina de saúde e vida. Toques bons são sine qua non para a inteligência, o crescimento celular e a defesa contra agressores (sejam micróbios ou espíritos humanos maus).

Estudando um pouco de neuroquímica juntamente com a observação clínica chegamos ao entendimento de que o toque humano bom favorece a produção da oxitocina (hormônio relacionado com a experiência de acolhimento e segurança emocional) e a neurotransmissão da acetilcolina (neurotransmissor responsável pela diminuição da frequência cardíaca, aumento da motilidade visceral e o aprendizado cognitivo, transformação da memória e inteligência). Acredito inclusive que o trabalho com esse tipo de toque pode influenciar positivamente a regulação do ciclo glutamatérgico (estimulante do Sistema Nervoso Central), podendo contribuir positivamente em casos de doenças neurodegenerativas (mas essa é a conversa que terei algum dia em meu projeto de Doutorado, hehehe…).

Por hora, basta dizer que o treino do toque gentil gera um dom excelente! Muitíssimo útil como coadjuvante em tratamentos psicológicos (em primeiro lugar), mas também físicos.

Recomendo pelo menos uma experiência de toque gentil por semana, mas o ideal é que se tenha pelo menos uma delas por dia.

Comece simples: peça para seu cônjuge ou pai colocar suas mãos sobre seu corpo por 10min cronometrados no relógio ou aplique suas próprias mãos sobre seu corpo dessa maneira. Em algum tempo você perceberá pensamentos mais lúcidos e especialmente memórias subjetivas mais conscientes e passíveis de elaboração.

O toque gentil é uma bênção! Hehehehe…

Um abraço a todos! Tenham uma boa semana!

Atenciosamente,

Dr. Rafael Caldeira de Faria, Psicólogo Corporal, CRP 06/89471, e o Fundador do Projeto Terapêutico Toque Divino.

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