Os olhos na oração

Boa tarde a todos!

Como vão vocês e suas famílias? Espero que estejam bem e que estejam usando o tempo que têm para tornar seus dias em momentos especiais!

Gostaria de lhes falar hoje aqui um pouco sobre o movimento dos olhos na oração, uma contribuição da Psicologia Corporal.

Existe um trabalho psicológico chamado de Eye Movement Desensitization and Reprocessing (EMDR), ou dessensibilização e reprocessamento pelo movimento dos olhos, que utiliza-se de exercícios oculares para o tratamento de traumas e outros problemas psicológicos. Ele entende que pela movimentação do globo ocular podemos influenciar o modo como as memórias e emoções são processadas e recordadas.

Por exemplo, através de exercícios de simulações do sono REM (Rapid Eye Movement), ele consegue atuar dessensibilizando as feridas psicológicas relacionadas com um acidente grave.

Com esse tipo de trabalho em mente, passei a considerar cuidadosamente a fenomenologia da oração para descobrir que, de um ponto de vista psicológico corporal, quando oramos, também movimentamos nosso globo ocular de uma maneira peculiar.

Ao orarmos, quando finalmente conseguimos uma conexão, podemos relatar que nossos olhos se voltaram para dentro, para trás e levemente para cima, em um movimento involuntário.

Acredito que essa movimentação tem um papel higiênico e salutar, trazendo um tipo de renovação e frescor tanto físico quanto psíquico, que justificam o hábito, em um outro plano.

Destaco que os olhos iluminam toda a nossa percepção de mundo e cooperam para que o foco exterior tenha respaldo interior.

Quem ora regularmente, por causa desse exercício espontâneo, obtém vantagens, como a renovação mental e do aparelho da atenção e sensibilidade.

Olhos parados, sempre para fora, sempre atentos acabam se desgastando e perdendo a eficácia, progressivamente.

Por isso, recomendo que se façam orações, ainda que sem motivos espirituais, pois mesmo somente por seus motivos psico-físicos, já se justificam, seguramente.

Convido você a fazer as suas próprias experiências! Tente fazer uma oração de quase 5 min e me conte para onde seus olhos foram enquanto orava.

Perceba que todas as coisas que fazemos espontaneamente também podem ser conhecidas e discernidas.

Os olhos, que foram feitos para olharmos para fora, também precisam ser “recarregados”! Por isso, olhe para dentro de tempos em tempos, e sua produtividade dará saltos de melhora!

Obrigado por nos acompanhar até aqui!

Tenham todos uma excelente semana!

Atenciosamente,

Rafael Caldeira de Faria, psicólogo corporal, CRP 06/89471.

 

Compreendendo calinhos

Boa tarde a todos!

Como vão vocês e suas famílias? Espero que tomando o tempo para se tocarem terapeuticamente cotidianamente, pois ninguém pode tocar sua família tanto quanto você!

Gostaria de lhes falar hoje aqui um pouco sobre calinhos ou calos que aparecem no nosso corpo.

Apesar da expectativa geral de que “em casa de ferreiro, o espeto é de pau”, na minha casa toco mais do que todos os outros através do meu trabalho. Minha família recebe do melhor dos meus dons e talentos, porque isso é algo que lhes faço com alegria.

Aqui em casa, talvez um dos toques favoritos das minhas meninas seja as massagens nos pés. Um dos rituais mais marcantes na minha casa são as massagens podais antes de ir dormir. Adoro esse serviço de amor.

Quando estudava a Massagem Integrativa de Agnes Geöcze, neta do Pethö Sândor, psicólogo corporal criador da técnica chamada de Calatonia, tivemos um capítulo inteiro sobre Reflexologia e o cuidado do homem através do toque nos seus pés.

A Reflexologia ensina que na planta dos pés e mãos há terminações nervosas e vasculares que tiveram origem nas principais partes do resto do corpo, de modo que tocando determinados pontos ali é possível estimular e influenciar órgãos correlatos.

Mas é só quando colocamos a mão na massa que começamos a desvendar os mistérios desse serviço terapêutico corporal.

Quando massageamos os pés de alguém encontramos lugares onde o toque é macio e suave, e outros onde há calosidades e/ou obstáculos, por exemplo, como se fossem grãos de areia por debaixo da pele.

Os grãos de areia falam de zonas reflexas com acúmulo de impurezas e/ou com pouca capacidade de retorno vascular, onde o fluxo dos líquidos do corpo é limitado ou insuficiente. Já os calos, grandes e pequenos, falam de regiões dos pés que estão sobrecarregadas de pressão, onde há necessidade de uma camada extra de pele e proteção.

Nossa pisada é sempre modulada pela organização geral da postura do nosso corpo, sendo que, do mesmo modo como há diferenças visíveis na organização corporal de uma pessoa para outra, também nossos pés são usados de formas diferentes.

Sapatos inadequados podem gerar calosidades, mas há calos nos nossos pés que independem da nossa escolha de calçados. E é aqui que temos algo para revelar da parte da Psicologia Corporal.

Calos evitam a estimulação de áreas sensíveis do nosso corpo.

Através de pequenos calos evitamos ser estimulados em regiões corporais onde guardamos significados importantes, mas dolorosos, em geral.

Nunca me esqueço do sonho de uma paciente, que após receber seu primeiro toque nos pés teve o sonho de um grande estupro. No contexto do seu trabalho psicoterapêutico corporal, ficou claro que na verdade o toque nos pés havia alcançado regiões emocionais, ligadas ao corpo, que costumavam estar guardadas e desatendidas, representando um avanço indesejado, embora necessário, na direção da tomada de consciência do conteúdo subjetivo primordial relacionado com a sua dor.

A cura psicoterapêutica corporal é um corpo e uma mente que voltam a funcionar completamente e em harmonia. E isso requer a vitória sobre barreiras antigas, que já não são mais necessárias, pois não oferecem mais proteção significativa e/ou útil.

Calinhos protegem a nossa consciência de emoções fortes e desagradáveis, e expressam pequenas limitações para o funcionamento do nosso corpo.

“Como são formosos os pés dos que anunciam boas notícias”, diz um provérbio cristão.

Trate seus calinhos com respeito e imagine sempre que eles podem estar guardando a sua sensibilidade/percepção de tesouros subjetivos, bem como da sua reabilitação física/corporal.

Hoje vivemos tempos de grande desconexão e perda do amor. Mas a família existe para ser um lugar onde há segurança para cuidarmos e interferirmos positivamente nas vidas uns dos outros.

Meu desafio de hoje: aprendam/reaprendam a massagear os pés uns dos outros. Eu já vi muita Reflexologia se transformar em portais para a cura emocional e a restauração da saúde física.

Cuidar dos pés dos seus familiares pode restabelecer uma conexão que jamais deveria ter sido perdida.

Toques terapêuticos são demais!

Uma boa semana a todos!

Atenciosamente,

Rafael Caldeira de Faria, psicólogo corporal, CRP 06/89471, e o fundador do Projeto Terapêutico Toque Divino.